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Tecnologia Sísmica Moderna: A Implementação dos levantamentos 4D Roberto Fainstein (NExT/UERJ) e Marcílio Matos (IME/PUC) Conceito A tecnologia sísmica 4D abrange diversos levantamentos sísmicos de 3D efetuados durante a linha produtora de grandes campos de petróleo com o objetivo de maximizar o valor econômico em termos de redução de custos, aumento de produção, aumento na recuperação das reservas e melhoria no gerenciamento da segurança da produção. A nomenclatura 4D é proveniente da variável tempo, ou seja, consiste em levantamentos sísmicos de 3D realizados em diferentes estágios da vida produtora do campo de petróleo. O levantamento base 3D, normalmente efetuado durante a fase de delineação ou de desenvolvimento do campo produtor, é utilizado como referência para posteriores levantamentos 3D efetuados em intervalos de tempo definidos em função da curva de produção ou depleção do campo de petróleo. A grande aceitação do emprego da análise sísmica 4D pela indústria de petróleo é evidenciada pelo grande número de publicações recentes nas principais conferências e revistas científicas da área geofísica que testemunham casos de sucesso da aplicação da tecnologia 4D. Cabe ressaltar que as experiências bens sucedidas na região do Mar do Norte, cujos resultados, acima da expectativa e amplamente divulgados, foram fundamentais para que a tecnologia 4D fosse globalizada. Definição dos Projetos Sísmicos de 4D Na quase totalidade dos campos produtores de petróleo nosso conhecimento dos dados do reservatório de petróleo, de sua capacidade produtora e de seu comportamento durante a produção é geralmente incompleta. Na grande maioria dos casos, o reservatório não é muito bem conhecido, mesmo quando colocado em produção. Existem sempre incertezas sobre as conectividades do reservatório, seus diversos compartimentos e no que concerne a invasão e gerenciamento da produção de águas. Mesmo quando a curva de produção de petróleo já é razoavelmente bem conhecida e os modelos de produção e depleção dos reservatórios amarrados ao histórico de produção de cada poço, o conhecimento continua incompleto e restrito às áreas em torno dos poços produtores e injetores. Portanto, os modelos geológicos dos reservatórios introduzidos nos simuladores de fluxo utilizados pela engenharia de petróleo podem não refletir fidedignamente características importantes de conectividade e de propriedades físicas do reservatório. Os levantamentos de 4D auxiliam a melhorar o conhecimento dos reservatórios no campo de petróleo, das propriedades físicas, da porosidade e da permeabilidade, da extensão lateral das rochas e dos fluídos, e, conseqüentemente, o gerenciamento da produção de óleo em termos de economia de escalas face os possíveis aumentos de produção e melhoria na recuperação das reservas (Fig. 1).
Implementação dos Projetos de 4D Para a implementação de projetos de 4D vários fatores são importantes para sucesso:
Independente da forma utilizada para referenciar diferentes levantamentos
sísmicos 3D defasados no tempo, a avaliação qualitativa e quantitativa
do projeto 4D deve ser realizada através da análise das possíveis mudanças
detectadas nos levantamentos 3D que estão diretamente associadas a dados
de produção e de simulação de produção do reservatório. Dentre as técnicas
utilizadas, uma das mais promissoras é a que utiliza a análise conjunta
de atributos sísmicos obtidos em cada levantamento sísmico 3D realizado
ao longo do tempo, que intuitivamente, pode ser interpretada, como uma
forma de análise da variação do comportamento de diferentes atributos
relacionados às propriedades do reservatório ao longo do período de produção.
Normalmente, a análise conjunta dos diferentes atributos sísmicos é realizada
através de redes neurais. Conclusões - A hora do 4D Para o bom desenvolvimento e sucesso do emprego da tecnologia 4D, diferentes disciplinas da área de petróleo devem ser envolvidas, tais como a Análise Sísmica, a Análise Petrofísica e Geológica e a Engenharia de Produção, bem como a interação entre os profissionais das diferentes áreas de atuação deve ser garantida, apesar das diferenças de linguagem tradicionalmente existentes, pois deve sempre ser levado em conta o objetivo comum. Atualmente, o Brasil está no limiar das aquisições sísmicas de 4D e podemos concluir que chegou a nossa hora dos levantamentos de 4D. Os maiores campos da Bacia de Campos serão os grandes beneficiários desta nova tecnologia, já utilizada com grande sucesso em vários importantes campos de petróleo, principalmente, no Mar do Norte (e.g. Gullfaks, Gannet, Alba, Nelson). Considerando que estamos entrando nesta nova era com tecnologias contemporâneas de aquisição e processamento sísmico, da qual a tecnologia Q. para a aquisição de dados sísmicos é um expoente, este limiar será beneficiado pelas várias experiências anteriores e nos levará a uma nova era de compreensão do imageamento sísmico dos nossos reservatórios. |